quinta-feira, 29 de julho de 2010

JOANINHA (Rui Agostinho)

Era simplesmente um corpo.
Encolhida.
Joaninha, apenas umn sopro,
Mimosa, mui pequenina.

Mas sabia transformar,
Um dia como outro qualquer,
De tarefas rotineiras,
Num toque de recolher.

Esquecida dos afazeres,
Despertando os prazeres,
Trocava todo o cenário,
Apenas por uma rêde.

Quintal pra ser varrido,
O cão rasgando o jornal,
Pilha de prato na pia,
E ela entre os lençóis.

Aí, aprontava delícias, desfraldava bandeiras,
Num comportamento animal,
Se tremia e com toda euforia dizia:
Faça-me tua, que eu te faço meu.

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